Na Bolívia, aprende-se a esperar o inesperado. Neste país, os flamingos se alimentam nos lagos vermelhos e verdes ao redor dos vulcões, onde as estruturas de pequenas pedras formam o Altiplano, e são como um bebê do gigante, e onde a queda d'água caem nos carros que passam pela estrada, e por isso é considerada uma das estradas mais perigosas.
Com cerca de mil picos com mais de 5.000m, não é nenhuma surpresa que Bolívia tenha a capital mais alta do mundo. Inclusive o aeroporto está a mais de 4.000m acima do nível do mar. A capital, está a 500m abaixo de um penhasco cercado por montanhas com seus picos cobertos por neve. Na avenida da capital acontece o mercado ao ar livre, e onde mulheres de origem indígena com seus chápeis e saias coloridas venderem de tudo que se pode imaginar, de falsificadas roupas de grife até feto seco de llamas.
Apesar disso, a maior parte do país é formado por planícies tropicais, um tapete que se alonga por toda sua extensão chegando até a fronteira com o Brasil. Estradas tortuosas que descem os Andes chegam até as selvas, excelente e perigoso lugar para a prática de mountain biking. A via de 70km que começa em La Paz vai até o Coroico e parece uma verdadeira confusão - sem nenhuma barreira de segurança.
Uma viagem pela região demonstra que o resto da Bolívia está em outra escala. Ao norte, o Lago Titicaca é o lago navegável mais alto do mundo, já Sorata é rodeada de montanhas, onde os locais insistem ser o lugar original do Jardim do Éden. Ao sul de La Paz, está a velha cidade colonial de Potosí, com suas minas de prata, enquanto o cemitério de trens está na extremidade do Salar de Uyuni, planície de sal mais alta e maior do mundo.
Há três horas ao oeste de Santa Cruz está Amboró, um Parque Nacional que abrange três ecosistemas - a bacia do Amazonas, os contra-fortes dos Andes e a planície de Chaco, que é abrigo de milhares da espécie de insetos, pássaros e plantas. O parque possui mais borboletas do que em qualquer lugar da Terra. No remota parte ocidental, diz-se que o Parque de Noel Kempff Mercado National serviu de inspiração para Conan Doyle, em o "Mundo Perdido". O Madidi, ao norte distante, é antigo divisor de águas da Amazônia. Ademais, os alojamentos desta região oferecem os melhores exemplos de ecoturismo indígena na América Latina.
Do ancestral Tihuanaco até ao século XXI, os seres humanos deixaram a sua marca na Bolívia, como arranhões na superfície vasta deste país - deixando o mundo moderno para trás, e por cima da floresta mais alta do mundo nas encostas do vulcão Sajama, ou deslizando no silêncio abaixo do Rio Beni com apenas pirilampos como companhia.
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